Se a balança do balcão imprime etiqueta com código de barras, o preço de frios, hortifrúti e granel não precisa ser digitado no caixa. A etiqueta já carrega o produto e o peso, ou o valor, em 13 dígitos. Falta só o PDV saber ler.
Este texto explica o que tem dentro dessa etiqueta, por que duas balanças iguais podem imprimir códigos diferentes e o que um sistema PDV para mercadinho precisa saber para não errar o valor.
Por que digitar o peso trava a fila
Digitar o preço de um pedaço de queijo leva segundos, e segundos somam quando a fila tem cinco pessoas. Pior do que a demora é o erro: um dígito trocado cobra R$ 12,50 como R$ 1,25, e ninguém percebe até o caixa não bater no fim do dia. Como procurar esse tipo de diferença está em caixa não bateu.
A etiqueta da balança resolve os dois problemas ao mesmo tempo. O número que a balança pesou é o número que entra na venda, sem passar pela mão de ninguém.
O que é a etiqueta EAN-13 da balança?
EAN-13 é o código de barras de 13 dígitos que aparece em quase todo produto de supermercado. No produto de fábrica, ele identifica aquele item no mundo inteiro. Na etiqueta de balança, a loja usa uma faixa reservada para uso interno, que começa com o dígito 2. No Brasil, código começando com 2 virou convenção para “etiquetado na balança”.
O que cada dígito guarda
O formato mais comum divide os 13 dígitos assim:
| Posição | O que guarda | Exemplo 2000123012506 |
|---|---|---|
| 1 | Prefixo 2: etiqueta de balança | 2 |
| 2 a 7 | Código do item na balança (PLU) | 000123 |
| 8 a 12 | Peso em gramas ou preço em centavos | 01250 |
| 13 | Dígito verificador | 6 |
Para que serve o último dígito?
O dígito verificador é calculado a partir dos outros doze. Se o leitor pegar a etiqueta amassada e trocar um número, a conta não fecha e o código é recusado. É a defesa contra lançar um valor errado por leitura ruim.
E se a minha balança usar outro tamanho?
Acontece. Algumas configurações usam código de item com 4 ou 5 dígitos, e os números que sobram ficam antes do valor. Por isso o formato é configuração da loja, não adivinhação. O manual da balança, ou o menu de configuração do código de barras dela, diz qual é o seu.
Peso ou preço: qual a sua balança imprime?
Os cinco dígitos do valor podem significar duas coisas diferentes. No exemplo, 01250 pode ser 1,250 kg ou R$ 12,50. O código é o mesmo, e só a configuração diz qual leitura está certa.
- Etiqueta por peso. Comum em açougue e hortifrúti. O PDV pega o peso e multiplica pelo preço do quilo cadastrado no produto.
- Etiqueta por preço. Comum em padaria e confeitaria. O PDV usa o valor impresso como está, porque quem pesou foi a balança, e ela é o instrumento que vale.
Como descobrir qual é a sua, sem abrir o manual?
Faça um teste com um produto de preço conhecido. Pese um pedaço, anote o peso e o valor que o visor mostra e imprima a etiqueta. Depois olhe os cinco números antes do último dígito. Se eles batem com o peso em gramas, a sua balança imprime peso. Se batem com o valor em centavos, imprime preço. No exemplo, uma peça de 1,250 kg a R$ 10,00 o quilo daria 01250 por peso e 01250 por preço também, então escolha um produto em que peso e valor terminem em números diferentes.
Na etiqueta por peso, o preço do quilo precisa estar certo no cadastro. Se o fornecedor subiu e o preço ficou para trás, a balança pesa certo e a loja cobra errado. O cuidado com o preço está em como calcular o preço de venda no mercadinho.
O que o PDV precisa saber para ler certo
Três informações, configuradas uma vez:
- 1O formato da etiqueta. Onde começa o código do item, quantos dígitos ele tem e se o valor é peso ou preço.
- 2O código do item de cada produto. O mesmo número que está cadastrado na balança. Queijo prato é 123 na balança, então é 123 no PDV.
- 3Se o produto é vendido por peso. Nesse caso o preço cadastrado é o do quilo, e a quantidade da venda sai da etiqueta.
Se um código de item não tiver produto ligado, o PDV não deve inventar: o certo é avisar qual código apareceu, para alguém ligar ao produto certo.
E o produto que tem código de fábrica continua sendo lido pelo código de fábrica. O pacote de mortadela fatiada que vem do fornecedor com EAN próprio não passa pela regra da balança: ele é um produto comum, com preço por unidade. A regra da etiqueta só vale para o que foi pesado e etiquetado dentro da loja.
Leitor USB ou câmera do celular?
Os dois leem o mesmo código. O leitor USB comum é mais rápido com fila e funciona como um teclado: ele “digita” os números e aperta Enter. A câmera do celular dispensa comprar aparelho e resolve bem na loja com uma pessoa no balcão.
Na Prosa, a tela de venda escuta o leitor e a câmera o tempo todo, sem botão de “ler código”. O código de barras comum do fabricante entra direto. A etiqueta de balança é conferida pelo dígito verificador e ligada ao produto pelo código da balança cadastrado na ficha: a etiqueta por peso calcula o valor pelo preço do quilo, e a etiqueta por preço entra com o valor impresso.
Perguntas frequentes
Preciso trocar de balança para usar etiqueta com código de barras no PDV?
Não, se a sua balança já imprime etiqueta com código de barras. O que muda é o PDV saber qual formato ela usa e qual produto corresponde a cada código de item.
Por que o mesmo código pode dar valores diferentes?
Porque os cinco dígitos do valor podem ser peso em gramas ou preço em centavos. 01250 pode ser 1,250 kg ou R$ 12,50. Só a configuração da loja diz qual dos dois a balança imprime.
O que acontece se a etiqueta estiver borrada ou mal lida?
O último dígito do EAN-13 confere os outros doze. Se a leitura vier com um número trocado, a conta não fecha e o PDV recusa o código em vez de lançar um valor errado.
Dá para ler o código de barras com a câmera do celular?
Dá. A câmera lê códigos de barras comuns e etiquetas de balança. Com fila grande, um leitor USB costuma ser mais rápido, e os dois podem conviver na mesma loja.