Fim da quermesse, dez da noite, luz de gambiarra. Alguém pergunta quanto a barraca do pastel fez e ninguém sabe, porque o dinheiro passou por cinco mãos, o Pix caiu no celular de uma pessoa só e as fichas estão numa lata. O caixa de quermesse dá certo quando é montado antes da festa, não depois.
Festa de igreja movimenta dinheiro de verdade: o turismo religioso gira cerca de R$ 15 bilhões por ano no Brasil. Uma quermesse de bairro é outra escala, claro. Só que tem movimento de loja cheia num sábado e caixa tocado por voluntário que não fez esse trabalho antes. É a combinação em que o dinheiro some sem ninguém ter pegado.
O que vem a seguir vale para festa junina, festa do padroeiro, bazar e qualquer barraca de festa de igreja. A prestação de contas à coordenação, com comissão e relatório, é outro assunto e está em loja do EJC: como prestar contas. Aqui o foco é a noite da festa.
Ficha ou venda direta: qual escolher?
Há dois jeitos de montar o caixa de uma festa, e os dois funcionam. O que não funciona é misturar: metade das barracas cobrando direto, a outra metade só aceitando ficha, e o pastel aceitando os dois.
| Ficha num caixa central | Venda direta na barraca | |
|---|---|---|
| Onde entra o dinheiro | Só no caixa central | Em cada barraca |
| Quem mexe em dinheiro | Poucas pessoas | Todo mundo que atende |
| Controle das fichas | Contar as fichas recolhidas | Não tem ficha |
| Serve melhor para | Festa com muitas barracas | Festa com uma ou duas barracas |
| Risco principal | Ficha perdida ou reaproveitada | Troco errado em cada barraca |
Com ficha, o controle de fichas vira parte do caixa. Imprima ou compre fichas de cor diferente por valor ou por produto, conte quantas saíram para o caixa e recolha as entregues em cada barraca numa lata fechada. No fim, fichas vendidas no caixa central menos fichas recolhidas nas barracas tem que dar perto de zero. A sobra são fichas que o público levou para casa.
Um detalhe que evita dor de cabeça: a barraca rasga ou carimba a ficha na hora da entrega. Ficha inteira pode ser reaproveitada no ano seguinte, e ficha que passa de mão em mão durante a noite pode voltar ao caixa como se fosse nova.
Quanto de troco levar e quem cuida dele?
O troco inicial é dinheiro da festa, não da barraca, e precisa voltar inteiro. Conte na frente de duas pessoas, anote o valor e separe em notas pequenas e moedas. O valor certo depende do preço dos itens: se quase tudo custa R$ 5 ou R$ 10, faltam notas de R$ 2 e de R$ 5, não de R$ 50.
- Uma pessoa responde pelo troco. Pode trocar de turno, mas a caixa passa de mão com contagem, não com um “tá tudo aí”.
- O troco não se mistura com o apurado. No fechamento, ele sai primeiro. O que sobra é a venda da noite.
- Pix vai para uma conta só. De preferência a da paróquia ou da equipe, nunca a pessoal de quem está no caixa. Uma chave Pix impressa na barraca evita que cada voluntário mostre a própria.
Várias pessoas no mesmo caixa: como não perder o controle?
Na festa, o caixa passa por quem estiver livre. A mãe do coordenador cobre meia hora, o adolescente assume enquanto alguém busca gelo. Nada disso é problema. Problema é chegar no fim da noite sem saber quem estava no caixa quando a diferença apareceu.
Cada pessoa no caixa precisa deixar rastro, e rastro não é desconfiança. É o que protege o voluntário honesto quando a conta não bate. Três combinados resolvem a maior parte:
- 1Turno com começo e fim. Quem entra confere a caixa com quem sai, e os dois anotam o valor.
- 2Toda venda registrada na hora. Com a forma de pagamento marcada: dinheiro, Pix ou cartão. É isso que permite conferir cada um depois.
- 3Brinde e cortesia também viram linha. O refrigerante do padre e o pastel do músico são legítimos. Só não podem sumir da conta.
Com o celular como caixa, o combinado fica mais fácil de cumprir. O cuidado com o sinal fraco e com o Pix está em PDV no celular na feira.
O que fazer quando a caixa enche de dinheiro?
Faça sangria. É o nome de tirar o excesso de dinheiro da caixa durante o movimento e guardar num lugar seguro, com valor, hora e nome de quem levou. Menos dinheiro na barraca é menos risco de perda e menos valor sujeito a erro de troco.
Combine antes quem recebe a sangria, em geral o tesoureiro da festa ou alguém da coordenação, e onde o dinheiro fica. Cada retirada entra na conta do fechamento como dinheiro que saiu da caixa para um destino conhecido. Sem essa anotação, a sangria vira buraco.
O contrário também acontece: o troco acaba às oito da noite, com fila na barraca. Colocar dinheiro na caixa no meio da festa tem nome, suprimento, e segue a mesma regra da sangria. Valor, hora, de onde veio e quem trouxe. Se o suprimento saiu do bolso de um voluntário, anote também, porque ele precisa voltar para essa pessoa no fechamento, e não virar venda da barraca.
Como fechar o caixa da barraca no fim da noite
O fechamento é uma conta com cinco linhas. Um exemplo, com números ilustrativos de uma barraca de pastel:
| Fechamento da barraca (exemplo) | Valor |
|---|---|
| Troco inicial | R$ 150 |
| Vendas em dinheiro | R$ 820 |
| Sangrias entregues ao tesoureiro | − R$ 600 |
| Esperado na caixa | R$ 370 |
| Contado na caixa | R$ 355 |
| Diferença | − R$ 15 |
O Pix e o cartão ficam fora dessa conta e se conferem no extrato. Os R$ 15 de diferença do exemplo têm poucas explicações possíveis: troco dado a mais, uma venda em dinheiro marcada como Pix ou uma cortesia sem anotação. Com o turno de cada pessoa registrado, dá para perguntar a quem estava lá, ainda na festa.
Depois do dinheiro, confira o que voltou. Se a barraca levou 40 garrafas de refrigerante e o registro diz que vendeu 27, deviam voltar 13. Voltaram 11? Duas saíram sem virar linha. A lógica de levado, vendido e voltou é a mesma da feira.
Na Prosa, o caixa por turno mostra o esperado e o contado lado a lado, com sangria e suprimento anotados. Nos planos pagos, cada voluntário entra com o próprio PIN, sem limite de pessoas, e a festa fecha com a apuração do evento pronta.
Perguntas frequentes
Na quermesse, é melhor vender ficha ou cobrar direto na barraca?
Ficha concentra o dinheiro num caixa só e deixa a barraca só entregando, o que ajuda quando há muitos voluntários. Venda direta é mais simples em festa pequena, com uma ou duas barracas. O importante é escolher um jeito e não misturar os dois na mesma barraca.
Como controlar várias pessoas mexendo no mesmo caixa?
Cada pessoa com o próprio acesso e cada turno com abertura e fechamento. Na Prosa, os planos pagos têm operador por PIN, sem limite de pessoas, e cada venda, sangria e suprimento fica com a hora e o nome de quem fez.
O que é sangria de caixa na barraca?
É tirar o excesso de dinheiro da caixa durante a festa e guardar em lugar seguro, anotando valor, hora e quem levou. Diminui o risco de perda e deixa na barraca só o troco de trabalho.