Para vender na feira com controle, você não precisa de um caixa de loja. O celular que já está no bolso resolve, desde que três coisas estejam combinadas antes de abrir a barraca: como marcar a forma de pagamento, quanto de bateria ele aguenta e o que fazer quando o 4G some.
Não é pouca gente nessa situação. São 277.714 MEIs ativos no CNAE de ambulante de alimentação e feira, fora os 63.955 de souvenires, bijuteria e artesanato. E 82% dos pequenos negócios vendem ou atendem pelo WhatsApp, o que quer dizer que o cliente da feira paga cada vez mais no Pix, pelo celular dele, olhando para o seu.
O que quase ninguém faz é deixar o celular anotar a venda também. Aí o fim do dia vira a cena de sempre: caixa de papelão no colo, contando peça por peça para descobrir, por subtração, o que foi vendido. Levou 40, voltou com 13, então vendeu 27. Só que o brinde, a peça quebrada e o Pix que não caiu entram todos na conta como venda.
O que precisa para vender pelo celular na barraca?
Menos do que parece. PDV é só o nome técnico do caixa: o lugar onde a venda é registrada. No celular, ele é uma tela com os produtos em botões grandes, um carrinho e a pergunta “como o cliente pagou?”.
- Um celular com internet. O mesmo que você já usa. Não precisa de aparelho específico nem de instalar nada, se o app abrir no navegador.
- Os produtos que mais saem, cadastrados. Não precisa ser o catálogo inteiro. O resto você vende como item avulso, digitando o valor, e decide depois se vale virar produto.
- A maquininha que você já tem, se aceita cartão. O app registra a venda; quem passa o cartão continua sendo a maquininha.
- Um carregador portátil. É o item que mais faz falta às três da tarde.
A Prosa não é maquininha e não recebe o dinheiro por você. Ela anota o que saiu e como foi pago, para o dia fechar sem adivinhação. Isso é bom saber antes, e não no sábado de manhã.
Pix, cartão ou dinheiro: como registrar cada um?
Marque a forma de pagamento no momento da venda, nunca depois. É o único instante em que você sabe com certeza. Uma hora mais tarde, com dez vendas no meio, ninguém lembra se a senhora do vestido azul pagou no Pix ou em dinheiro.
Cada forma se confere num lugar diferente, e é isso que torna a separação obrigatória:
| Forma | Onde confere | Cuidado na barraca |
|---|---|---|
| Dinheiro | Contando a caixa | Troco separado do apurado desde a abertura |
| Pix | Extrato do banco | Ver a notificação antes de entregar a peça |
| Cartão de débito | Extrato da maquininha | Taxa sai do valor recebido |
| Cartão de crédito | Extrato da maquininha | Taxa maior e prazo para cair |
Quanto a maquininha leva de cada venda?
Depende do seu contrato, e vale olhar. Como referência, o crédito costuma custar de 2% a 5% da venda, o débito de 1% a 2%, e o Pix na conta PJ fica em geral entre 0% e 1,5%. Poucos feirantes sabem esse número por forma de pagamento. Quem sabe consegue decidir se dá desconto no Pix ou não.
Um exemplo com números redondos: numa venda de R$ 50, uma taxa de 4% no crédito leva R$ 2. Em cem vendas assim no mês, são R$ 200. Não é motivo para recusar cartão, que também traz cliente. É motivo para saber quanto cada forma deixa de verdade.
E quando o sinal cai no meio da feira?
Vai cair uma hora. Praça cheia, galpão de metal e estacionamento de igreja são lugares onde o 4G sofre. A Prosa precisa de internet no momento de registrar a venda. Funcionar totalmente offline está no roteiro, mas ainda não existe, e é melhor planejar em cima disso.
O que funciona na prática:
- 1Teste o sinal quando chegar. Antes de montar a barraca, abra o app e faça uma venda de teste. Se não carrega ali, mude a posição do celular ou veja se a operadora de quem está do lado pega melhor.
- 2Deixe papel e caneta na caixa. Quando o sinal some, anote produto, quantidade e forma de pagamento numa linha por venda. Sem total, sem conta de cabeça.
- 3Lance as vendas do papel assim que o sinal voltar. No primeiro respiro, não no fim do dia. Risque cada linha lançada, para não lançar duas vezes.
- 4No Pix, confira a notificação antes de entregar. Sem internet, o comprovante na tela do cliente pode ser de um Pix que ainda não saiu.
O papel aqui é plano B de meia hora, não o controle do dia. A diferença é que ele vira registro no app antes de a memória apagar os detalhes.
Bateria, sol e uma mão só
Celular aberto no caixa o dia inteiro gasta bateria, e sol forte obriga a subir o brilho, que gasta mais. Três cuidados simples evitam a barraca parada:
- Saia de casa com 100% e com o carregador portátil também carregado.
- Feche o que não precisa: vídeo, jogo, GPS. Deixe aberto o app de venda, o banco e o WhatsApp.
- Monte a barraca de modo que o celular fique na sombra, perto da caixa do troco. Tela de frente para o sol é tela que ninguém lê.
E pense na mão livre. Na feira você segura a sacola, o troco e a peça ao mesmo tempo. Por isso botão grande e poucos toques pesam mais que qualquer relatório bonito na hora de escolher o app.
Como conferir o dia pelo extrato
Com a forma de pagamento marcada em cada venda, o fechamento vira conferência. Você tem três totais separados e confere cada um onde ele mora: o dinheiro na caixa, o Pix no extrato do banco, o cartão no extrato da maquininha.
Quando um deles não bate, a diferença tem nome. Pix a mais no extrato quase sempre é venda que não foi registrada. Dinheiro a menos pode ser troco errado ou brinde que não virou linha. Descobrir isso com a barraca ainda montada é bem mais fácil que na terça-feira, de memória.
O que levar, o romaneio de levado, vendido e voltou, e a conta de se a feira valeu a pena estão em como vender em feiras. Se a barraca é de festa de igreja, com várias pessoas no mesmo caixa, o passo a passo está em caixa da barraca na quermesse. E o que a Prosa faz para quem vende em feira está resumido em Prosa para feirantes.
Perguntas frequentes
Preciso de uma maquininha para usar PDV no celular na feira?
Não para registrar a venda. O PDV no celular anota o que saiu e como o cliente pagou. Para aceitar cartão você continua precisando da maquininha que já usa; Pix e dinheiro dispensam.
A Prosa funciona sem internet na feira?
Ainda não. É preciso internet no momento de registrar a venda, e o 4G do celular costuma resolver. O uso totalmente offline está no roteiro. Enquanto isso, quando o sinal cai, anote no papel e lance assim que ele voltar.
Como separar o que entrou no Pix do que entrou em dinheiro?
Marque a forma de pagamento em cada venda, na hora. No fim do dia você tem três totais: o dinheiro se confere contando a caixa, e o Pix e o cartão se conferem no extrato do banco e da maquininha.
Dá para usar o mesmo app na barraca e na loja fixa?
Dá. A mesma loja registra a venda no balcão e na feira, e a apuração por evento separa o que foi vendido em cada uma.