Pular para o conteúdo
Feira e eventos

Como vender em feiras: estoque levado, vendido e o que volta

Equipe Prosa6 min de leitura

Feira boa não é só a que vende muito. É a que você fecha sabendo o que levou, o que saiu e o que volta para casa — sem contar peça por peça no escuro, com o vizinho já recolhendo a lona ao lado.

São 277.714 MEIs ativos no CNAE de ambulante de alimentação e feira (5612-1/00), mais 63.955 em souvenires, bijuterias e artesanato (4789-0/01). É muita barraca montada no sábado. E quase todas fecham do mesmo jeito: conta o que sobrou, chuta o que vendeu e descobre o resultado no caminho de volta.

O erro não está na conta. Está na hora dela. Contar no fim do dia, cansado, é onde a peça some, a quebra vira venda e o dinheiro não bate. O que vem a seguir é o romaneio da barraca: o que anotar antes, durante e depois.

Quanto levar, sem chutar

Levar demais enche o carro e aumenta o risco de quebra. Levar de menos perde venda com o cliente na frente. No meio disso quase todo mundo decide por palpite — e o palpite é a lembrança da última feira boa, a menos representativa de todas.

O dado honesto é o histórico da última feira do mesmo tipo. E “do mesmo tipo” faz diferença: feira de artesanato num domingo de sol não se parece com festa de igreja à noite. Compare com a mais parecida que já fez, não com a maior.

  • Leve por produto, não por caixa fechada. “A caixa de canecas” esconde que as azuis acabaram às onze e as brancas voltaram inteiras. Quem anota por produto descobre isso na primeira feira; quem anota por caixa, não.
  • Dos itens leves e baratos, leve mais do que costuma vender. A sobra ocupa pouco espaço e volta inteira. A falta é venda perdida com o cliente de mão no bolso.
  • Dos pesados e caros, leve menos. Cada peça grande parada é dinheiro parado, espaço no carro e risco de arranhão na viagem. Essas se repõem por encomenda.

Escreva o número antes de sair de casa, produto por produto. Essa lista não é burocracia: é a primeira coluna do romaneio.

O romaneio: levado, vendido, voltou

Romaneio é palavra de transportadora, e cai bem na barraca: é a lista do que saiu de casa. Na feira ela tem três colunas e uma conta.

  • Levado — quanto saiu de casa, por produto.
  • Vendido — quanto saiu da barraca para o cliente.
  • Voltou — quanto entrou de volta no carro no fim do dia.

A conta é levado menos vendido menos voltou. Em feira redonda, dá zero. Quando não dá, alguma coisa aconteceu, e vale saber o quê.

ProdutoLevadoVendidoVoltouDiferença
Caneca pintada241590
Sabonete artesanal6041172
Brinco de miçanga3012180

A caneca e o brinco fecham. O sabonete tem dois de diferença: duas unidades saíram de casa e não viraram nem venda nem retorno. Pode ter sido brinde, amostra, peça guardada na caixa errada ou furto. Nenhuma dessas explicações é grave sozinha. Grave é não saber que foram dois — e repetir dois toda feira até virar trinta no fim do ano.

O que fazer durante a feira

Registre a venda na hora em que ela acontece. É o único momento em que você sabe o que saiu, quantas unidades e como o cliente pagou. Meia hora depois, já não sabe.

A alternativa parece mais prática e é onde o controle se perde: calcular por subtração no fim do dia. “Tinha dez, contei seis, logo vendi quatro.” Essa conta trata como venda tudo que sumiu. A peça que quebrou virou venda. O brinde virou venda. Aí o dinheiro na mão não bate com o papel, e ninguém explica a diferença.

Três hábitos que cabem no movimento:

  • Marque a forma de pagamento junto com a venda. Dinheiro, Pix e cartão se conferem de jeitos diferentes, e separá-los depois é impossível.
  • Anote o que o cliente pediu e você não tinha. É a lista mais valiosa do dia: é ela que define o que levar na próxima feira. Três pessoas perguntando pela mesma cor no mesmo sábado é uma encomenda esperando.
  • Anote o que saiu sem ser venda: brinde, amostra, peça quebrada. São essas linhas que fazem o romaneio fechar em zero.

Fechar a barraca em dez minutos

  1. 1Conte só o que voltou. O vendido você já tem, anotado durante o dia. Contar duas vezes o mesmo estoque é o que faz o fechamento durar uma hora.
  2. 2Confira a diferença produto a produto. O que fecha em zero não precisa de atenção. O que tem diferença merece trinta segundos ali, com a barraca montada — não na terça, de memória.
  3. 3Some dinheiro, Pix e cartão separados. São três totais, não um. O dinheiro se confere na hora, contando a caixa; Pix e cartão, no extrato — e é aí que aparece a venda que ninguém registrou.
  4. 4Anote as despesas antes de esquecer. Vaga, transporte, almoço, ajudante. Sem elas, a próxima conta não existe.

A feira valeu a pena? A conta que quase ninguém faz

Faturamento não é resultado. O que sobra é a receita menos o custo dos produtos que saíram, menos as despesas do dia. Um exemplo, com números redondos:

  • Vendas do dia: R$ 1.240
  • Custo dos produtos vendidos: R$ 430
  • Taxa da vaga: R$ 120
  • Transporte: R$ 90
  • Alimentação: R$ 60
  • Ajudante: R$ 100

A margem dos produtos é R$ 1.240 menos R$ 430, ou seja, R$ 810. As despesas do dia somam R$ 370 (120 + 90 + 60 + 100). Resultado da feira: R$ 440.

Agora troque só uma linha. Mesmo faturamento, mas numa feira mais disputada, que cobra R$ 400 pelo ponto em vez de R$ 120: as despesas passam a R$ 650 e o resultado cai para R$ 160. Uma feira pode faturar bem e dar resultado ruim, e quem só olha o maço de dinheiro no fim do dia repete a feira errada no mês seguinte.

Como achar a próxima feira

Boa parte das feiras organizadas por prefeitura entra por edital, com poucas vagas e prazo curto. A feira Mãos e Mentes Paulistanas, em São Paulo, abre 24 vagas por edição. Santos abre 3 vagas de feira por temporada nos editais dela. Não é para desanimar: é o tamanho real da fila. Quem acompanha o edital e se inscreve no primeiro dia concorre em condições bem diferentes de quem descobre a feira na véspera.

  • Agendas culturais municipais e páginas de eventos da prefeitura. É onde o edital sai antes de chegar no grupo de WhatsApp. Vale olhar uma vez por semana: o prazo costuma ser de dias, não de meses.
  • Os organizadores da última feira. Quem montou uma vai montar de novo — sair da barraca com esse contato vale mais que qualquer busca.

E o WhatsApp: 82% dos pequenos negócios vendem ou atendem por lá. Na feira, ele é a segunda venda — o cliente leva uma peça no sábado e pede três na terça, para presente. Quem salva o contato com o nome do produto que a pessoa levou tem, no mês seguinte, uma lista de encomendas em vez de um álbum de fotos.

Na Prosa, o romaneio é a tela da barraca: você marca o que levou, cada venda desconta sozinha e no fim confere só o que voltou, com a apuração do evento já somando despesa e resultado. Se a dúvida é o que fazer com o dinheiro depois que a feira acaba, o caminho é caixa e lucro no mercadinho.

Fontes

Leia também