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Microempreendedor

Preço de encomenda: como cobrar sem trabalhar de graça

Equipe Prosa6 min de leitura

A cliente pergunta quanto sai o bolo de 2 kg para sábado. Você faz a conta de cabeça, lembra do valor da última vez e responde. O preço de encomenda calculado assim é quase sempre menor do que devia, e o erro só aparece no fim do mês, quando o dinheiro não acompanha o trabalho.

Quem produz em casa trabalha com três custos e costuma enxergar um só. Este texto separa os três, monta a conta com um exemplo e mostra como virar preço, sem planilha complicada e sem chutar.

Os três custos de toda encomenda

  • O que entra no produto. Ingredientes, recheio, cobertura e a embalagem, que muita gente não conta: caixa, fita, forminha, sacola, etiqueta.
  • O que a produção gasta. Gás, energia, água, papel-manteiga, o desgaste do forno e o transporte da entrega.
  • O seu tempo. As horas de preparo, decoração, limpeza, compra de insumo e conversa de WhatsApp com a cliente.

Preço que cobre só o ingrediente não é preço, é troco. Ele devolve o dinheiro do mercado e cobra zero pelo resto, que é onde a encomenda dá trabalho de verdade.

A ficha da receita: o custo do que você usa

O primeiro custo se calcula por proporção, e o Sebrae ensina a fórmula direta: o valor da embalagem dividido pela quantidade que vem nela, multiplicado pela quantidade usada na receita. Um pacote de 1 kg de farinha por R$ 6,00 custa R$ 0,006 por grama; a receita que usa 300 g gastou R$ 1,80.

Escrito uma vez, esse cálculo vira a ficha daquela receita e serve para sempre, até o preço do insumo mudar. É a mesma ideia da ficha técnica de restaurante, no tamanho de quem faz vinte bolos por semana.

O que quase sempre falta na ficha

  • A embalagem inteira, incluindo a fita e o adesivo.
  • O que sobra e estraga: meia lata de leite condensado aberta não volta para a prateleira.
  • A prova. Você experimenta, a cliente experimenta, e aquilo saiu do produto.

Um bolo, do ingrediente ao preço

O Sebrae usa um bolo de cenoura como exemplo e chega a R$ 15,38 de ingredientes. Vamos levar esse número até o fim, com valores de exemplo para o resto:

ItemO que entraValor
IngredientesFicha da receitaR$ 15,38
EmbalagemCaixa, fita, etiquetaR$ 3,20
Gás e energiaForno e batedeiraR$ 2,00
Sua hora1h30 a R$ 20,00R$ 30,00
Custo totalSoma dos quatroR$ 50,58

Com R$ 50,58 de custo, cobrar R$ 60,00 parece lucro de R$ 9,42. Não é: é o que sobra antes de qualquer imprevisto, de qualquer bolo que desandou e de qualquer mês em que chegaram duas encomendas em vez de dez.

Quanto vale a sua hora

Esse é o número que trava a conta, porque ninguém gosta de escrever o próprio valor. Um jeito prático de chegar nele: pense em quanto você precisa ganhar por mês e em quantas horas por semana consegue produzir de verdade, já descontando a compra de insumo, a entrega e o tempo de resposta no celular.

Quem quer tirar R$ 2.400 por mês trabalhando 30 horas por semana precisa de cerca de R$ 20 por hora, e isso antes do lucro do negócio, que é outra coisa. Não é um preço de mercado, é o seu piso: abaixo dele, cada encomenda aceita é trabalho pago a menos do que você precisa.

A entrega é trabalho, não cortesia

Levar a encomenda até a casa da cliente gasta combustível ou aplicativo, gasta uma hora do seu dia e gasta o risco de o bolo chegar torto. Quem entrega de graça está pagando para trabalhar. Escolha um valor por bairro, ou um raio com entrega inclusa e um acréscimo para fora dele, e diga isso no orçamento: depois de aceito, cobrar entrega vira mal-entendido.

O mesmo vale para o pedido de véspera. Encomenda urgente desorganiza a produção da semana, obriga a comprar insumo no mercado da esquina, mais caro, e costuma chegar no dia em que a agenda já estava cheia. Um acréscimo combinado para prazo curto é mais honesto que recusar sempre ou aceitar sempre no prejuízo.

Do custo ao preço de encomenda

Com o custo total na mão, o preço sai de uma divisão, não de uma multiplicação. Para uma margem de 30%, divida o custo por 0,70. No exemplo, R$ 50,58 dividido por 0,70 dá R$ 72,26, e o preço de balcão vira R$ 75,00.

Multiplicar por 1,3 daria R$ 65,75 e uma margem real de 23%, não de 30%. A diferença entre markup e margem derruba muita conta caseira, e ela está explicada com calma em como calcular o preço de venda no mercadinho.

Quando refazer a conta

  1. 1Quando o insumo sobe. Chocolate, manteiga e ovo mudam de preço rápido. Uma ficha desatualizada faz você vender com a margem do ano passado.
  2. 2Quando a receita muda. Recheio novo, cobertura diferente, tamanho maior. Receita nova é ficha nova.
  3. 3Quando a agenda enche. Ter mais pedidos do que horas é o sinal clássico de preço baixo demais, não de sucesso.

O que combinar antes de aceitar

Metade do prejuízo da encomenda não vem do preço, e sim do combinado. Quatro coisas precisam estar escritas antes de a produção começar: o que é, para quando, quanto custa e como se paga. Um sinal na reserva protege quem já comprou o insumo, e o resto fica para a entrega.

O canal é quase sempre o mesmo: 82% dos donos de pequenos negócios apontam o WhatsApp como principal canal de vendas, segundo a 12ª edição do Pulso dos Pequenos Negócios do Sebrae, ouvindo mais de 8.200 empreendedores em 2026. Como organizar esses pedidos sem perder nenhum está em controlar encomendas do WhatsApp.

Na Prosa, uma receita é uma lista de insumos com quantidade, e o custo dela se atualiza sozinho quando o preço do insumo muda. Ao registrar a produção, os insumos saem do estoque e o produto entra com o custo que realmente teve, então o preço para de depender da memória da última compra.

Perguntas frequentes

Como calcular o custo de uma receita?

Pegue o preço da embalagem que você comprou, divida pela quantidade que vem nela e multiplique pela quantidade usada na receita. Some todos os ingredientes assim e você tem o custo daquela fornada, não o custo do mercado.

Preciso cobrar a minha hora mesmo trabalhando em casa?

Precisa. Sem a sua hora no preço, o dinheiro que sobra não é lucro: é o seu salário disfarçado de lucro. E quando a encomenda cresce e você tiver que pagar alguém para ajudar, o preço não cobre a ajudante.

Qual margem usar numa encomenda caseira?

Depende do trabalho e do risco. Receita simples e repetida costuma viver com margem menor; peça decorada, com prazo apertado e entrega, precisa de margem maior porque cada erro custa uma refação inteira.

Vale a pena dar desconto para encomenda grande?

Vale quando o tamanho reduz o seu custo de verdade, como uma única fornada, uma entrega só e uma compra maior de insumo. Se o trabalho dobra junto com a quantidade, o desconto sai do seu bolso.

Fontes

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